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Ideias · Design

Ideias que criam raízes

Depois de doze anos, a nova identidade e o novo site mostram com mais clareza o Rizoma que existe hoje, com seus Originais, seus parceiros e as histórias que continuam em circulação.

Por Tom Gonçalves

Placa redonda na fachada de um prédio, com o logotipo rizoma. em amarelo sobre fundo violeta

Em qualquer trabalho que dura tempo suficiente, chega um momento em que a descrição fica menor que a coisa descrita. Com o Rizoma isso aconteceu devagar, quase sem que a gente percebesse. Durante anos dissemos que éramos uma produtora audiovisual, depois um estúdio, e as duas respostas estavam certas. Só que, a cada conversa com alguém novo, sobrava um pedaço do trabalho que precisava ser explicado à parte, depois de um "e também". Também pesquisamos, também escrevemos, também desenhamos, também criamos projetos que começam com a gente. Em 2027 o Rizoma completa treze anos, e a identidade, a organização da marca e o novo site que apresentamos agora são uma forma de parar de explicar esse conjunto em notas de rodapé.

Quando a apresentação ficou pequena

A trajetória tem menos linha reta do que caberia numa apresentação comercial. Fizemos séries animadas e vídeos institucionais, escrevemos roteiros sobre temas que exigiam semanas de leitura antes da primeira cena, desenhamos materiais educativos, organizamos conteúdo editorial e passamos muitas tardes com pesquisadores tentando entender o que eles mais queriam que as pessoas soubessem sobre o próprio trabalho. Em quase todos esses projetos a parte decisiva acontecia antes da câmera ou do software de animação, no esforço de compreender um assunto bem o bastante para contá-lo a quem não tinha pedido para aprender nada. Foi assim que pesquisa, roteiro, design e audiovisual foram se misturando até virar um único ofício.

Hoje dizemos que o Rizoma é uma empresa de mídia que transforma conhecimento em histórias. A palavra mídia pode soar grande para uma equipe de Joinville, mas ela descreve com honestidade o que fazemos. O audiovisual continua no centro, porque é onde temos mais prática e onde muitas das nossas histórias encontram sua melhor forma. Uma história, porém, também pode ser animação, livro, áudio, projeto digital, material para a sala de aula, jogo, exposição ou alguma combinação entre eles. A ideia vem antes do formato, e isso sempre esteve no nosso modo de trabalhar.

Ideias que começam aqui, às vezes em boa companhia

Uma parte importante dessa trajetória são os Originais, projetos que o Rizoma concebe e desenvolve editorialmente, sozinho ou com parceiros que entram na história desde o começo. Enraizando, NaMMedida, Percursos Arqueológicos, Zooarqueologia e As Aventuras da Toninha Babi formam esse catálogo, e basta colocá-los lado a lado para perceber que não seguem uma fórmula. Há uma série animada que acompanha uma toninha aventureira pela Baía Babitonga e há um projeto dedicado à arqueologia, cada um com seu público, seu ritmo e sua linguagem. Alguns nasceram inteiramente dentro de casa, outros têm autoria compartilhada com pesquisadores e instituições.

Desenvolver um Original pede um tipo de trabalho que nem sempre aparece no resultado final. É preciso escolher um tema e descobrir qual pergunta vale a pena fazer sobre ele, pesquisar até o assunto deixar de parecer óbvio, inventar um formato que caiba naquela ideia e sustentar tudo isso por tempo suficiente para o projeto crescer. Acompanhar uma ideia desde a origem foi provavelmente o que mais nos ensinou sobre o próprio ofício. Enquanto o catálogo segue circulando, outros Originais estão em desenvolvimento, alguns ainda em cadernos e documentos de pesquisa, outros já perto da produção. Não vamos listá-los aqui, em parte por superstição e em parte porque cada um merece aparecer na hora certa.

O mesmo ofício em outras mesas

Os Originais convivem com o trabalho que fazemos para outras pessoas, e essa convivência faz parte do Rizoma. Instituições, pesquisadores, especialistas, organizações e marcas continuam nos procurando com um conhecimento que precisa encontrar público, às vezes uma pesquisa de anos, às vezes apenas a suspeita de que há uma boa história escondida em algum relatório. Nesses projetos usamos o mesmo repertório de pesquisa, narrativa, design e produção. Muda o ponto de partida e a relação com o projeto, e por isso o site separa Originais, que reúne o que concebemos editorialmente, de Portfólio, que reúne projetos realizados para iniciativas e instituições de terceiros. A distinção organiza quem assina o quê e não estabelece nenhuma hierarquia. Há trabalhos de Portfólio dos quais temos tanto orgulho quanto de qualquer Original, e vários nos ensinaram coisas que depois levamos para os nossos próprios projetos.

Uma casa que não exige uniforme

A nova identidade visual chegou como consequência de tudo isso. O nome continua o mesmo e a assinatura passa a ser rizoma., em minúsculas e com um ponto final que significa mais continuidade do que fim. Quem olhar com calma vai notar também que o z não fica na linha de base com as outras letras. Ele desce um pouco abaixo delas, numa curva que lembra uma raiz entrando na terra. É o detalhe da assinatura com a intenção mais literal, e nos pareceu justo que ele viesse do próprio nome, já que um rizoma cresce justamente por baixo do chão, espalhando-se em várias direções. A identidade trabalha com formas arredondadas e com uma paleta em que o violeta ocupa o papel principal, enquanto laranjas e amarelos entram quando algo precisa de energia ou destaque. Em volta disso há uma família de cores secundárias bem variada, além de ilustração, ícones, fotografia, movimento e uma presença forte de composição editorial.

Versões da assinatura rizoma.: principal em laranja e amarelo sobre violeta, cor sobre branco, positiva em preto, cor sobre preto, negativa em branco sobre violeta e sobre preto, e a reduzida rzm.

O que mais nos ocupou foi pensar a identidade como sistema. O Rizoma abriga uma série infantil, um projeto sobre arqueologia, publicações sobre design, documentários ambientais e trabalhos para instituições muito diferentes entre si, e cada um precisa de linguagem própria. Uma marca rígida faria todos parecerem saídos do mesmo molde, o que seria ruim para os projetos e cansativo para quem acompanha. O sistema foi desenhado para se combinar de jeitos diferentes conforme cada caso, com poucas constantes garantindo que tudo seja reconhecível. Funciona como uma casa comum, onde cada projeto entra com a própria personalidade e ninguém precisa trocar de roupa na porta.

Em circulação, entre um lançamento e outro

O novo site rizoma.tv é onde essa organização ganha forma, dividido em Originais, Publicações, Portfólio, Como trabalhamos, O Rizoma e Contato. Além das áreas dedicadas ao catálogo e aos trabalhos com terceiros, Como trabalhamos apresenta as diferentes maneiras de desenvolver um projeto com a gente. A mudança de que mais gostamos, no entanto, está em Publicações, a área onde você lê este texto. Sua página principal reúne histórias, ideias e projetos que continuam se movendo. O antigo blog, que vivia num canto separado e era atualizado quando sobrava tempo, deixou de existir como estrutura isolada. Textos editoriais agora dividem o mesmo fluxo com episódios, bastidores, novidades e atualizações dos projetos, e os filtros (Todos, Ideias, Bastidores, Novidades e Episódios) ajudam cada leitor a encontrar o que procura.

Essa área existe porque a vida de um projeto não cabe no dia do lançamento. Um Original aparece quando estreia, mas também quando ganha uma nova etapa, quando a pesquisa revela algo curioso, quando um tropeço deixa um aprendizado que vale contar ou quando volta a circular anos depois e encontra um público que não existia da primeira vez. Um site pensado apenas como vitrine guardaria os trabalhos terminados como numa gaveta de troféus. Queríamos um lugar que mostrasse o Rizoma em atividade, inclusive nos intervalos entre lançamentos, que costumam ser justamente os períodos em que mais coisa acontece por aqui.

Enquanto isso, por aqui

Neste momento há episódios no ar, Originais em desenvolvimento, pesquisas abertas sobre assuntos que ainda não sabemos bem como contar e trabalhos em andamento com parceiros que nos confiaram algo que conhecem profundamente. Quase nada disso começou agora, e foi exatamente por isso que sentimos que estava na hora de dar ao conjunto uma apresentação à altura. A identidade e o site tornam mais fácil enxergar o que doze anos de trabalho foram construindo e oferecem um endereço mais claro para o que seguimos criando. Se quiser acompanhar, é por esta página que as coisas vão continuar passando.

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